Investigação revela que caixa-preta do helicóptero de Rick não foi testada antes do acidente

A caixa-preta do helicóptero que transportava o cantor Rick, da dupla com Renner, e mais quatro pessoas, não passou pelo teste necessário antes do acidente fatal ocorrido em setembro na Serra catarinense.

Segundo um relatório preliminar do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), divulgado na quinta-feira (22), os pilotos não realizaram o teste da caixa-preta, que estava listado no checklist diário de operações. O equipamento, conhecido como Cockpit Voice Recorder, foi instalado na aeronave em 17 de maio de 2002 e possuía capacidade para gravar até trinta minutos de áudio.

O manual do equipamento estipulava que um teste de funcionamento deveria ser feito antes do primeiro voo do dia. Para isso, era necessário acionar um botão no painel de controle localizado na cabine de pilotagem. Entretanto, esse procedimento não estava registrado no checklist encontrado com a aeronave.

O relatório aponta que a caixa-preta não registrou qualquer áudio do acidente, apenas diálogos relacionados a uma manutenção realizada em uma data não especificada. As manutenções da caixa-preta eram realizadas conforme as necessidades identificadas nas inspeções.

Outro dispositivo importante, o Underwater Locator Beacon (ULB), que auxilia na localização subaquática e também possui um gravador, estava em dia com as manutenções, a última delas ocorrendo em 12 de agosto de 2025.

A investigação, conduzida pela Polícia Civil e pelo Cenipa, órgão vinculado à Força Aérea Brasileira (FAB), continua em andamento.

Novas imagens dos destroços do helicóptero são divulgadas

Problemas mecânicos frequentes

O documento também revela que o helicóptero apresentava problemas mecânicos recorrentes, especialmente nos geradores. Um mecânico havia recomendado que a aeronave retornasse à oficina para investigação, mas isso não ocorreu antes do acidente.

De acordo com o relatório, algumas falhas ocorreram devido a voos em condições de umidade, como dentro de nuvens ou chuva, que afetaram os geradores. O mecânico que prestou serviços na aeronave confirmou a frequência das falhas, mas não pôde afirmar se eram causadas pela umidade. Embora as falhas tivessem diminuído temporariamente, elas retornaram posteriormente.

Um dos geradores chegou a deixar de fornecer energia, enquanto o outro mantinha a alimentação elétrica da aeronave, evitando que as telas se apagassem. Em 25 de abril de 2026, o segundo motor-gerador precisou ser substituído por um locado, conforme os registros de manutenção. Após reparos, o gerador removido foi reinstalado no dia 13 de maio, enquanto o primeiro foi posicionado em uma nova posição. Após essa alteração, as falhas passaram a ocorrer em ambos os geradores de forma alternada.

Em razão disso, foi recomendada uma nova inspeção na Organização de Manutenção para averiguar o problema. Antes disso, em 30 de março, a aeronave já havia realizado um pouso de emergência em Ibiaçá, no Rio Grande do Sul, devido a uma vibração considerada anormal. Contudo, as manutenções subsequentes não identificaram problemas relacionados à vibração do rotor principal.

No dia 21 de setembro, a aeronave decolou da Costa Esmeralda, em Porto Belo, às 11h, com destino a São Joaquim. Duas horas após a decolagem, perdeu comunicação com as torres de controle em meio a condições climáticas adversas, incluindo chuva e ventos fortes em diversas áreas de Santa Catarina. O relatório também destaca a má visibilidade nas proximidades.

No dia seguinte, por volta de 12h, os destroços foram localizados na região de Santa Bárbara, na Serra catarinense, e a morte de todos os ocupantes foi confirmada.

Queda do helicóptero resultou na morte de cinco pessoas

By Joinville Informa

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